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Saneamento seguro ainda é uma realidade distante para bilhões de pessoas

Em 05 de agosto de 2026

Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, o acesso universal ao saneamento e à Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, o acesso universal ao saneamento e à higiene permanece entre os maiores desafios do desenvolvimento sustentável. Segundo o relatório mais recente do Programa Conjunto de Monitoramento da Organização Mundial da Saúde e do Fundo das Nações Unidas para a Infância — OMS/UNICEF JMP —, publicado em 2025 com estimativas referentes a 2024, 3,4 bilhões de pessoas não tinham acesso a serviços de saneamento manejados de forma segura. Desse total, 354 milhões ainda praticavam a defecação a céu aberto.

Os indicadores de higiene domiciliar também revelam uma situação preocupante. Em 2024, 1,7 bilhão de pessoas não dispunha de serviços básicos de higiene, definidos pela existência, no domicílio, de uma instalação para lavar as mãos com água e sabão. Entre elas, cerca de 1 bilhão possuía alguma instalação, mas não contava com água ou sabão disponível, enquanto 611 milhões não tinham qualquer estrutura destinada à lavagem das mãos em casa.

Esses números constituem o retrato global mais recente produzido pelo JMP, mecanismo da OMS e do UNICEF responsável pelo monitoramento internacional dos serviços de água, saneamento e higiene nos domicílios.

Ter acesso a um banheiro não significa, necessariamente, dispor de saneamento seguro. De acordo com a metodologia do JMP, um serviço é considerado manejado de forma segura quando a população utiliza uma instalação sanitária melhorada, não compartilhada com outros domicílios, e os dejetos são tratados e destinados de maneira segura no próprio local ou após sua remoção para uma unidade apropriada.

O saneamento deve, portanto, ser compreendido como uma cadeia completa de serviços, que começa pelo acesso a uma instalação sanitária e inclui a contenção ou coleta dos dejetos, sua remoção e transporte quando necessários, o tratamento e a destinação final ou o reúso seguro. A existência de um banheiro representa apenas uma dessas etapas e não garante, isoladamente, a proteção da saúde e do meio ambiente.

Quando uma dessas etapas apresenta falhas, pode ocorrer contato humano com agentes contaminantes dentro das residências, nas ruas, no solo ou nos corpos d’água. Vazamentos, transbordamentos, descarte irregular e lançamento de efluentes sem tratamento comprometem a função sanitária da infraestrutura e podem favorecer a propagação de doenças e a degradação ambiental.

A segurança sanitária depende não apenas da construção de instalações e redes, mas também de sua operação, manutenção, fiscalização e gestão contínua. Universalizar o saneamento exige ampliar o acesso e garantir que todas as etapas da cadeia funcionem de maneira segura, sustentável e acessível.

 

REFERÊNCIAS

 

WORLD HEALTH ORGANIZATION; UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND. Progress on household drinking water, sanitation and hygiene 2000–2024: special focus on inequalities. Geneva: World Health Organization; New York: UNICEF, 2025. Disponível em: washdata.org/reports/jmp-2025-wash-households. Acesso em: 22 jul. 2026. 

Autores


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Milenna Alves dos Santos

Doutoranda em Ciências Veterináriasmilennalves.plansanear@gmail.com